O que a gente encontra quando entra
Casos reais, sem nome de cliente. Os números são exatos — o que sai é só a etiqueta, porque margem e conflito interno são do cliente, não nossos para publicar.
Polaridade
Construtora · obra pública e privada
Assinar não é se expor. É a única prova de que você não errou.
R$ 31.882,87 entregues · R$ 50,00 lançados
Ler o caso → Fechar ↑
Polaridade
Construtora · obra pública e privada
Assinar não é se expor. É a única prova de que você não errou.
R$ 31.882,87 entregues · R$ 50,00 lançados
Ler o caso → Fechar ↑
O material chegava errado na obra e ninguém sabia quem tinha pedido o quê. O engenheiro recebia a lista do terceirizado e repassava direto ao comprador, sem conferir quantidade nem estoque. Quando dava errado, a culpa era sempre do outro. Um funcionário de 43 anos de casa olhou o sistema novo e disse que não ia usar.
Aquilo não era preguiça nem sabotagem. Era ele passando o risco adiante, e com razão. Num lugar onde errar dói e conferir não é registrado nem reconhecido, a jogada mais segura é ser correio: quem só encaminha nunca erra. Ele não estava atacando o processo — estava se protegendo dele.
A solicitação passou a ser registrada, com status vivo do pedido até o lançamento no ERP. E o treinamento inteiro girou em torno de uma frase: a lista não é o pedido. Sem registro, é a palavra dele contra a do comprador contra a do terceirizado — ele achava que estava protegido e não estava.
Era o que o painel mostrava no dia da reunião de alinhamento. Ninguém precisou acusar ninguém: o dado falou sozinho, na frente do dono. Assinar e se expor são o mesmo ato lido de dois polos — o registro deixou de ser armadilha e virou armadura.
Mentalismo
Posto de combustível
A margem existia no papel e não existia no caixa.
Cinco centavos por litro
Ler o caso → Fechar ↑
Mentalismo
Posto de combustível
A margem existia no papel e não existia no caixa.
Cinco centavos por litro
Ler o caso → Fechar ↑
O dono precificava com confiança. Olhava o catálogo, via margem boa, e mesmo assim o dinheiro não aparecia no fim do mês. A sensação era de vazamento sem ralo visível.
O catálogo mostrava mais que o dobro da margem real em alguns produtos. A causa não era erro de cálculo de ninguém: custo total e margem eram campos de número, não de fórmula. Alguém digitou uma vez, o preço de compra mudou, e o número ficou parado — mentindo com toda a autoridade de um dado.
Converter para fórmula, para que qualquer mudança no preço de compra se propague sozinha. E corrigir a aritmética de base, porque margem não é markup: para 8% de margem, o preço não é custo vezes 1,08, é custo dividido por 0,92.
É a diferença entre as duas contas. No volume daquele posto, dava perto de R$ 7.500 por mês evaporando por confusão aritmética. Um número morto é um ídolo: foi verdadeiro um dia e continuou sendo obedecido depois de morto. A fórmula recalcula — ela responde ao mundo.
Correspondência
Obra pública
Setenta postes que o projeto não pediu.
70 postes no orçamento · 34 no projeto
Ler o caso → Fechar ↑
Correspondência
Obra pública
Setenta postes que o projeto não pediu.
70 postes no orçamento · 34 no projeto
Ler o caso → Fechar ↑
Obra de quase cinco milhões aprovada, contrato assinado, e nenhuma visão de onde o dinheiro estava concentrado. Trezentos e sessenta e dois itens numa planilha, sem quantitativo separado. A pergunta era simples e não tinha resposta: por onde eu começo a olhar?
Orçamento e projeto são dois planos da mesma obra. Se são o mesmo prédio, têm que se refletir. Onde os dois discordam, um deles está mentindo — e a discordância não é ruído, é o dedo apontando onde ir olhar.
Derivar todos os quantitativos do que já existia e validar contra o projeto. Oito dos nove tipos de esquadria bateram exatamente. Chapisco e emboço deram o dobro da alvenaria, que são as duas faces. Lastro e contrapiso convergiram com o piso. Três fontes independentes se sustentando — e uma que não sustentava.
As luminárias do orçamento batiam com o projeto, não com os postes: lançamento em duplicidade, cerca de R$ 60 mil de exposição. Ninguém procurou postes. Procurou-se onde os espelhos não batiam.
A tese
O sistema não faz o erro sumir
Ele muda o lugar onde o erro aparece, e quanto custa ali. Os sessenta mil dos postes só valem sessenta mil porque apareceram antes da compra — depois valeriam zero. Prometer que o erro acaba é promessa fraca e mentirosa. Nada cessa, tudo oscila: não se elimina o pêndulo, aprende-se a saber onde ele está.